café&cerveja

Café. As vezes com açucar, as vezes não. Cerveja. As vezes gelada, as vezes não.

terça-feira, maio 09, 2006

Café do ponto.

É impressionante como um simples resfriado pode atrapalhar a sua vida. Nem tanto pela dor de garganta e nariz entupido, isso passa. Todo paulistano fudido de pegar ônibus sabe que quando o guarda-chuva começa a sobrar na bolsa , tá na hora de pegar o rolo de papel higiênico. Abril até passa tranquilo, mas quando para de ventar, a poluição só não acaba com a resistência de quem tem casa num desses retiros pra tuberculoso como Campos do Jordão. Tudo fica confuso. Confusão me irrita.

Hoje, esse é o caso. Não tenho a sorte de passar meus finais de semana andando de pônei nas montanhas. Depois de tentar rechear meu sábado e domingo com algo pra ser lembrado, aqui estou eu. Moralmente despreparado pra mais uma semana pronta pra ser igual a todas as outras, esperando o parque Edu Chaves perto da brigadeiro, indo pra consolação. Eu podia ir de metrô, mas é lotado demais. Minha única sorte é ser um estranho a São Paulo nesse horário. Sobreviver nesta cidade numa rotina das nove às seis é a pior coisa que pode acontecer pra um brasileiro. Quem pega no trampo as nove tá no ponto às sete e meia, bem na hora que não tem niguém sorrindo na rua. Antes das sete até dá pra ver uns colegiais que, se não estão exatamente exultantes, pelo menos conseguem caminhar animados. Depois das dez é a hora de quem acorda tarde e pede suco de laranja na padaria, sem tanta pressa, o que na minha experiência identifico com aquela letargia que acomete quem não sabe se é freela ou desempregado.

E olha que a falta de sorrisos é de longe a coisa menos pior a acontecer. A cidade entre as sete e meia e as dez é azeda.

- Três pães de queijo por um real.

Comprei. O português da tia era melhor que o meu. O ônibus azul aparece cheio. Lembro de tuberculose pela segunda vez no dia.