café&cerveja

Café. As vezes com açucar, as vezes não. Cerveja. As vezes gelada, as vezes não.

terça-feira, janeiro 09, 2007

Dois metros de frente e sete metros de fundo.


Olhando da calçada pra dentro do comércio, a única coisa que chama a atenção é a dificuldade de se perceber qualquer coisa dentro daquele ambiente. Caso você decida parar pra tomar uma Antarctica e seus olhos se acostumarem à escuridão das lâmpadas queimadas, surge o cenário do boteco triste.

Do lado esquerdo, o balcão vermelho e amarelo de fórmica se estende desde a entrada até o final do bar, pra proteger a porta do banheiro e do depósito. Sobre ele, apenas um totem de salgados sabor torresmo e uma pequena estufa vazia. O público local tem a grana curta e cozinhar dá muito trabalho. O revestimento de fórmica falta em alguns pedaços e não há bancos. Caso as duas mesas que ficam na direita estejam ocupadas, o que não é incomum, bebe-se de pé.

A parede do fundo do bar é decorada com dois pôsteres de mulheres vendendo bebidas. Um azul de cerveja e outro branco e amarelo. Na parede da esquerda a única estante da parede resume o cardápio local em poucas variedades de cachaça e múltiplas cores de outros tipos de destilado. A geladeira fica ao fundo. Não se vê a sua cor, pois ela está escondida pelo balcão.

Por conta do hábito e do dinheiro, os freqüentadores passam muito tempo conversando e pouco bebendo. Chegam, tomam uma ou duas, conversam o mesmo papo até a fome bater de novo e se vão. O bar é tão pobre que não chega a ter uma máquina de caça-níqueis.

Atrás do balcão aquele mesmo senhor, de camisa bordô e cabelo branco. Ele está velho e a raiva já diminiu. Ele já não lembra bem, mas parece que desde o começo dos anos noventa ele não mata mais ninguém.

terça-feira, junho 20, 2006


Não é meu. é do no mínimo


Limpeza

Quem bebe álcool bem faria se também bebesse café. Ao menos, é a conclusão de um estudo do Serviço de Atendimento Médico da Kaiser Permanente em Oakland, Califórnia.

Os médios avaliaram os históricos de 125.580 pessoas e concluíram que quem bebe café diariamente tem menos chances de desenvolver cirrose hepática por conta do consumo excessivo de álcool.

Ainda não se sabe qual a substância no café que protege o fígado. via Liquor snob

quinta-feira, maio 25, 2006

O loiro de brincos e a moça do cafezinho.

- Ufa, ele apareceu.

Hoje já seriam 3 dias completos, mais de 72 horas sem ela visse o loiro de brincos.
Joana se acostumara com a rotina. Cinco anos servindo café na mesma padaria, da mesma Teodoro Sampaio, tinham ensinado a ela que, por uma razão desconhecida, as pessoas gostam de repetir seus dias, gostam de fazer sempre a mesma coisa, no mesmo horário e, de preferência, no mesmo lugar. No caso dela, a repetição dos dias e das pessoas podia ser medida em xícaras de café e copos de cerveja; as bebidas que de uma forma quase inconsciente marcavam o entrar e sair das horas. A coisa não se anunciava na sua cabeça dessa maneira tão analítica, era mais um sentimento, uma coisa, um jeito de ver o ir e vir da vida simples que levava.
Conforme o turno que Joana pegava na padaria, uma era uma das duas bebidas que ditava o girar dos clientes. Como aquele despertador barato vendido no Largo da Batata que só era desligado aos domingos, parecia a Joana que o café e a cerveja tinham o poder de marcar com uma precisão misteriosa o que deveria ser feito em cada uma das horas do dia. Esse passo militar em que o mundo andava provocava nela uma angústia estranhamente confortável. Era como se o mundo se repetisse, fosse sempre igual. Certos dias, era como se todos aqueles clientes indo e vindo, quisessem provocar Joana, teimando em ter pressa quando deviam ser pacientes, ou querendo ficar e ficar quando tudo o que deviam fazer é ir pra casa.
Logo quando foi contratada Joana pegava o turno da tarde, e seus dias demoravam pra acabar sempre por culpa dos mesmos bêbados animados falando de futebol e mulher depois do expediente. Na época, Pinheiros era um lugar longe e ninguém se importava com o horário do último ônibus. Quando passou para o turno da manhã, o que Joana reparava era a correria dos clientes. Sempre o mesmo pão na chapa e a mesma média, olhar vago e correria. Ela não colocava nestes termos, Joana nunca fora boa em prestar atenção, em explicar essas coisas pro pessoal da padaria. Ela via, era mais um perceber.
Dentre todos aqueles clientes do mesmo bom dia, o único que parecia encantar Joana era o moço loiro de brinco. Ela não sabia dizer desde quando ele freqüentava a sua vida, nunca tinha ouvido sua voz e mal sabia como chamar aquela preocupação, aquele repensar constante. Como a maioria dos clientes, ele chegava sempre num horário marcado, no meio da manhã e sempre escolhia uma entre duas mesas. Freqüentava a padaria umas três, quatro vezes por semana, nunca aos sábados. Também não conversava com ninguém e não fumava. Joana o achava elegante, mas o que mais chamava sua atenção, era o fato de que o moço loiro de brinco tomava cerveja de manhã.

terça-feira, maio 09, 2006

Café do ponto.

É impressionante como um simples resfriado pode atrapalhar a sua vida. Nem tanto pela dor de garganta e nariz entupido, isso passa. Todo paulistano fudido de pegar ônibus sabe que quando o guarda-chuva começa a sobrar na bolsa , tá na hora de pegar o rolo de papel higiênico. Abril até passa tranquilo, mas quando para de ventar, a poluição só não acaba com a resistência de quem tem casa num desses retiros pra tuberculoso como Campos do Jordão. Tudo fica confuso. Confusão me irrita.

Hoje, esse é o caso. Não tenho a sorte de passar meus finais de semana andando de pônei nas montanhas. Depois de tentar rechear meu sábado e domingo com algo pra ser lembrado, aqui estou eu. Moralmente despreparado pra mais uma semana pronta pra ser igual a todas as outras, esperando o parque Edu Chaves perto da brigadeiro, indo pra consolação. Eu podia ir de metrô, mas é lotado demais. Minha única sorte é ser um estranho a São Paulo nesse horário. Sobreviver nesta cidade numa rotina das nove às seis é a pior coisa que pode acontecer pra um brasileiro. Quem pega no trampo as nove tá no ponto às sete e meia, bem na hora que não tem niguém sorrindo na rua. Antes das sete até dá pra ver uns colegiais que, se não estão exatamente exultantes, pelo menos conseguem caminhar animados. Depois das dez é a hora de quem acorda tarde e pede suco de laranja na padaria, sem tanta pressa, o que na minha experiência identifico com aquela letargia que acomete quem não sabe se é freela ou desempregado.

E olha que a falta de sorrisos é de longe a coisa menos pior a acontecer. A cidade entre as sete e meia e as dez é azeda.

- Três pães de queijo por um real.

Comprei. O português da tia era melhor que o meu. O ônibus azul aparece cheio. Lembro de tuberculose pela segunda vez no dia.

quarta-feira, maio 03, 2006

Já faz tempo que a idéia do café e da cerveja como os combustíveis da babilônia paulistana alimentam a minha cabeça.

Nos últimos tempos tenho alimentado a idéia com a bebida escura quando o dia clareia, e com a clara quando o dia escurece. As duas a manter o corpo e a cabeça, sempre rumo à inércia, a funcionar. Este é o uso. Mesmo que, com mais freqüência do que muitos gostariam, o período e a temperatura de consumo eventualmente se invertam.

Sábio de porta de boteco. Certa vez, ouvi um médico me garantir que a cerveja e o café são substâncias que possuem o poder de alterar o equilíbrio energético do corpo humano. Talvez seja justamente por isso que ambas sejam quase condição fundamental ao ato de escrever, mesmo que este não seja o ponto aqui. Mas o que ia dizendo, ou melhor, o que o médico me dizia, é que o café possui a propriedade de retirar a energia do corpo para levá-la para a cabeça, nos deixando mais inteligentes e atentos ao mesmo tempo em que resfria nosso corpo. A cerveja por sua vez tem a propriedade inversa e, ao retirar a energia de nosso cérebro e enviá-la para o corpo, faz com que nos tornemos menos ponderados, mais estúpidos e quentes. De uma certa maneira são ambos combustíveis que usamos para nos manter de pé conforme a situação.

É nesse equilíbrio, por essas e por outras, que se encontra o mundo paulistano, entre copos de cerveja e xicáras de café, em momentos de atenção e frieza, agitação e estupidez. Não necessáriamente nessa ordem, não necessariamente nessa temperatura, mas a idéia parte daí.

- Pra mim, faz sentido.

terça-feira, maio 02, 2006

testando

testando os megahertz...